Alimente os Peixes!!!!

21 fevereiro 2006

Eu, a avó de todos os vícios

Eu ouvi sempre dizer que a preguiça é mãe de todos os vícios. E sempre me senti como a mãe da preguiça. Logo, sou a avó de todos os vícios....rs
Hoje, procurando uma imagem de preguiça pra ilustrar um diálogo com a Bruiva, descobri um site maravilhoso sobre Direitos Humanos: http://www.dhnet.org.br.
E não é que tem um "tratado" do direito à preguiça, redigido em 1880???
Ah, que lindo mundo em que vivemos!

Elogio da Preguiça - extraído do site

Bemdita sejas tu, Preguiça amada,
Que não consentes que eu me ocupe em nada!
Mas queiras tu, Preguiça, ou tu não queiras,
Hei de dizer, em versos, quatro asneiras.
Não permuto por toda a humana ciência
Esta minha honestíssima indolência.
Lá esta, na Bíblia, esta doutrina sã:
-Não te importes com o dia de amanhã.
Para mim, já é grande sacrifício
Ter de engolir o bolo alimentício.
Ó sábios , daí à luz um novo invento:
A nutrição ser feita pelo vento!
Todo trabalho humano, em que se encerra?
Em na paz, preparar a luta, a guerra!
Dos tratados, e leis, e ordenações,
Zomba a jurisprudência dos canhões!
Juristas, que queimais vossas pestanas,
Tudo que legislais dá em pantanas.
Plantas a terra, lavrador? Trabalhas
Para atiçar o fogo das batalhas...
Cresce o teu filho? É belo? É forte? É loiro?
- Mas uma rês votada ao matadouro!...
Pois, se assim é, se os homens são chacais,
Se preferem a guerra à doce paz,
Que arda, depressa , a colossal fogueira
E morra assada, a humanidade inteira!
Não seria melhor que toda gente,
Em vez de trabalhar, fosse indolente?
Não seria melhor viver à sorte,
Se o fim de tudo é sempre o nada, a morte?
Queres riquezas, glórias e poder?...
Para que, se amanhã tens de morre?
Qual mais feliz? O mísero sendeiro,
Sob o chicote e as pragas do cocheiro,
Ou seus antepassados que, selvagens,
Viviam, livremente, nas pastagens?
Do Trabalho por serem tão amigas,
Não sei se são felizes as formigas!
Talvez o sejam mais, vivendo em larvas,
As preguiçosas, pálidas cigarras!
Ó Laura, tu te queixas que eu, farcista,
Ontem faltei, à hora da entrevista,
E, que ingrato, volúvel e traidor,
Troquei o teu amor - por outro amor...
Ou que, receando a fúria marital,
Não quis pular o muro do quintal.
Que me não faças mais essa injustiça!...
Se ontem não fui te ver - foi por preguiça.
Mas, Juvenal, estás a trabalhar!
Larga a caneta e vai dormir... sonhar...

Juvenal Antunes, poeta nascido em 1883 em Ceará Mirim, RN.

4 comentários:

Anônimo disse...

[bocejo]....ai ai....'qui priguiça'!
Bono me deixou exausta ontem....mas que foi bom...aaaah ...isso foi, né !
Tomara que eles voltem sempre !
Claaaro...os Stones too...jejeje
Bem...mas amanhã é dia de rodízio...ia levar o Má ao dentista...mas, pensando bem, melhor deixar o carro na mão dele e....dormir 1 pucadinho +...lóóógico !
Kisses pra U2

Anônimo disse...

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