Alimente os Peixes!!!!

13 dezembro 2009

O Sagrado Tantrismo Branco


Autênticas doutrinas tântricas do Kamasutra, de Vatsyayana, e o Anangaranga de Kayanamalla complementam-se com o Vajroli-Yoga e o Pancatatwa. O Kamasutra hindu legítimo nada tem a ver com certas edições espúrias ou apócrifas, adulteradas, que ostentando o mesmo título circulam por todos os países ocidentais. Esta obra clássica da arte do amor hindu divide-se em sete partes: na primeira se expõe ao casal o impulso da vida e as artes e ciências que são de utilidade prática na Magia Sexual.

Só entram em consideração como Mestras das principiantes, aquelas mulheres que tenham praticado Magia Sexual com algum homem. A discípula deve possuir o conhecimento de sessenta e quatro artes básicas.
Entre outras coisas, depois do canto, música instrumental, dança, desenho, confecção de extrato de pétalas de flores, execução musical com vasos contendo água pura, mineralogia, ciência química, organização de brigas de galos, codornas, carneiros e técnica de todos os trabalhos literários, a aluna terá de aprender, obrigatoriamente, artes mágicas.

Além de saber preparar os diagramas e filtros amorosos de eficácia esotérica, deverá instruir-se em sábios sortilégios e mantras. Na segunda parte do Kamasutra, o grande Mestre hindu Vatsyayana expõe, sabiamente, uma farta didática esotérica sobre a arte de amar, ocupando-se muito especialmente sobre algo extraordinário, qual a verdadeira divisão de tipos homens e mulheres segundo a divisão de seus órgãos genitais.Inteligentemente apresenta três classes de homens que são designados segundo o seu Phalo como: lebre, touro e garanhão (animal grande do Hindustão).

Comparando com os varões, as mulheres também são classificadas segundo a constituição de seu Yoni (órgão sexual): gazela; égua e elefanta. Esta diferenciação de ambos os sexos compõe-se, por sua vez, em nove combinações amorosas, fazendo-nos recordar a Nona Esfera:

1. Elevado gozo sexual: lebre com gazela; touro com égua; garanhão com elefanta.
2. Desiguais uniões sexuais: lebre com égua; lebre com elefante; touro com gazela; touro com elefanta; garanhão com égua; garanhão com gazela.

As nove possibilidades de união sexual se subdividem em três classes, segundo o tamanho dos órgãos sexuais: a proporção do mesmo tamanho, que sem dúvida é o melhor; a relação entre órgãos grandes com pequenos, no qual é dos mais infelizes, o desfrute do prazer; todas as outras relações amorosas que podem simplesmente se classificar como regulares. O eventual temperamento dos cônjuges, sem dúvida, desempenha um grande papel no ato sexual. Agrupam-se em três classes: frio, médio e ardente, de maneira que são possíveis os nove acoplamentos da Nona Esfera, a saber: frio com frio; médio com médio; ardente com ardente. Desiguais uniões sexuais: frio com médio; frio com ardente; médio com frio; ardente com frio; ardente com médio.

A duração de um gozo sexual, ou seja, a possibilidade de uma longa permanência no mesmo, não se baseia, entre os hindus, por exemplo, em uma atividade sensual puramente animal, mas é considerado como questão vital que se expressa no ato executado como uma demonstração de cultura muito desenvolvida e muito bela. Um cônjuge que não se encontre realmente orientado sobre os mais íntimos fenômenos sexuais é considerado deficiente.

Segundo Rasamanjuri, todo homem no jogo do amor não reflexiona sobre o que se deve fazer ou deixar de fazer. É evidente, também, que a duração do deleite sexual divide-se em três classes: rápida, média e lenta. O segredo da felicidade de Deus consiste na relação dele consigo mesmo. Desta relação advém, de acordo com a lei das analogias ilosóficas, todo o vínculo cósmico, todo o enlace sexual. O gozo sexual é, pois, um direito legítimo do homem; a felicidade de Deus expressando-se através de nós.

Maomé disse: “O ato sexual é até agradável à religião, sempre que realizado com a invocação de Alá e com a própria mulher para a reprodução”. O Alcorão diz: “Ouve, toma por mulher uma donzela a qual acaricies e te acaricie também. Não passes à penetração sem haver-te antes excitado pelas carícias”. O Profeta sublinha: “Vossas esposas são para vós um labirinto. Ide a ele como vos aprouver, mas realizai antes algum ato devocional. Temei a Deus e não esqueçais de que um dia havereis de estar em sua presença!” Segundo esta concepção, é ostentável que o delicioso ato sexual com a mulher adorável é uma forma de oração. Nesses instantes de suprema felicidade nos convertemos em colaboradores do Logos Criador; prosseguimos a tarefa radiante e a cada instante recreadora da manutenção do universo entre o seio misterioso da eterna Mãe-Espaço. “Fazei como vosso criador, como um homem poderoso em obras e força, consciente do que faz e havereis de obter duplo gozo; um acréscimo de licor seminal e filhos sãos e fortes”.
Assim disse Maomé: “Dez graças concede Alá ao homem que outorga sua simpatia à mulher, com mãos acariciantes; vinte, se a pressiona de encontro ao seu coração; mas, se seu abraço amoroso é o autêntico, obtém de Deus trinta graças para cada beijo”.

Kalyanamalla enfatiza a idéia transcendental de que o cumprimento exato do código do amor é muito mais difícil do que o humanóide intelectual equivocadamente pensa. Os deleites preparatórios são complicados. A arte deverá ser executada exatamente segundo os preceitos, para avivar a paixão da mulher, da mesma maneira que se aviva uma fogueira, para que seu Yoni torne-se mais brando, elástico e idôneo ao ato amoroso. Um sábio autor disse: “O anangaranga concede grande importância a que ambos os cônjuges não deixem introduzir em sua vida íntima nenhuma inibição, fastio ou saciedade em suas relações, efetuando a consumação do amor com recolhimento e entrega total. A forma do ato sexual, isto é, a posição no mesmo, é denominada Asana. Pode-se diferenciar quatro modalidades: uttana-danda; tiryac; upawishta; uthitta.
O estudo esotérico destas quatro Asanas Tântricas é de complicado conteúdo, com objetivos exclusivamente pedagógicos. Limitar-nos-emos no presente livro a transcrever especificamente aquela posição sexual chamada upawishta. Porém, em futuros tratados, continuaremos estudando as outras Asanas.

Upawishta quer dizer posição sentada, na qual ocorrem doze subposturas:

1. A especialmente preferida: Padmasana. O homem senta-se com as pernas cruzadas sobre a cama ou uma almofada, toma a mulher sobre suas pernas enquanto esta, com as suas mãos, envolve o corpo do varão de tal forma que seus dois pés façam contato sobre o cóccix masculino (assim, a mulher absorve o Phalo).
2. Sentados ambos, e durante o delicioso ato, a mulher levanta com uma das mãos uma de suas pernas.
3. Homem e mulher entrelaçam suas mãos sobre suas respectivas nucas.
4. Enquanto a mulher toma em suas mãos os pés do homem, este toma os da mulher.
5. O homem toma nos braços as pernas da mulher, deixa-as repousarem sobre o arco do cotovelo e entrelaça os braços atrás da nuca de sua parceira.
6. A postura da tartaruga: ambos sentam-se de maneira que se tocam mutuamente na boca, mãos e pernas.
7. Sentado, com as pernas afastadas, o homem penetra seu membro e exerce pressão entre a coxa da mulher com a sua coxa.
8. Uma postura somente executável por um homem muito forte e uma mulher muito ágil: o homem apóia a mulher com os cotovelos elevados, penetra seu membro e após oscila-a da direita à esquerda.
9. A mesma posição, somente que a pendulação ou oscilação da mulher se efetua para diante e para trás.

O Upawishta oriental é maravilhoso, porém os gnósticos não são exclusivistas. É óbvio que no mundo ocidental muitos místicos preferem a seguinte Asana:

1. Mulher estendida de costas na cama, pernas afastadas (abertas para a direita e para a esquerda), almofada baixa ou sem ela.
2. Homem colocado sobre a mulher, metido entre suas pernas; rosto, tórax e ventre masculino fazendo contato direto com o corpo feminino.
3. Fronte contra fronte, peito contra peito, plexo contra plexo; todos os correspondentes centros astrais justapostos para permitirem um intercâmbio de correntes magnéticas e estabelecer assim um androginismo completo.
4. Introduza-se muito suavemente o membro viril na vagina, evitando-se ações violentas. O movimento do Phalo dentro do útero deve ser lento e delicado.
5. A união deverá durar pelo menos uma hora.
6. Retirar-se da mulher antes do espasmo para evitar a ejaculação do sêmen.
7. O Phalo deve ser retirado de dentro do útero muito delicadamente.
Pierre Huard e Ming Wong, falando sobre medicina chinesa, disseram: “O Taoísmo tem outras influências na medicina, como prova a leitura de uma recompilação dos tratados taoístas, o Sing-Ming-Kuel-Chen, do ano 1622, aproximadamente”.

Distinguem-se três regiões no corpo humano. A região superior inferior da cabeça. O chamado osso da almofada é o occipital. “A almofada de Jade (Yu Chen) encontra-se na parte posterior inferior da cabeça. O chamado osso da almofada é o occipital (Chen-Ku)”. “O palácio do Ni-Huan (termo derivado da palavra sânscrita Nirvana) encontra-se no cérebro, chamado também ‘mar da medula óssea’ (Suei-Hai), e é a origem das substâncias seminais”. “A região média é a coluna vertebral, considerada não como um eixo funcional e sim como um conduto, unindo as cavidades cerebrais com os centros genitais, termina num ponto chamado de coluna celeste (Tienchu), situado detrás da nuca no ponto onde nascem os cabelos. Não devemos confundir este ponto com o que na acupuntura tem o mesmo nome”. A região inferior compreende o campo de cinábrio (Tan-Tien). Nela se assenta a atividade genital representada pelos rins, o fogo do Tigre (Yang à esquerda), e o fogo do Dragão (Ying à direita)”.
“A união sexual está simbolizada por um casal; um homem jovem conduz o tigre branco e uma mulher jovem cavalga sobre o dragão verde. O chumbo (elemento masculino) e o mercúrio (elemento feminino) irão mesclar-se, enquanto estiverem unidos. Os jovens arrojam sua essência em uma caldeira de bronze, símbolo da atividade sexual”. “Mas os líquidos genitais, particularmente o esperma (Tsing), não são eliminados, nem se perdem, a fim de que possam voltar ao cérebro pela coluna vertebral, graças a qual se recupera o curso da vida”.

“A base destas práticas sexuais taoístas é o ‘coitus reservatus’, no curso do qual o esperma que haja baixado do encéfalo até a região prostática (mas que não tenha sido ejaculado) retorna à sua origem; é o que se denomina fazer voltar a substância (Huan-Tsing)”.

Quaisquer que sejam as objeções que se formulem frente à realidade deste retorno, não é menos certo que os taoístas conceberam um domínio cerebral dos instintos elementais que mantinha o grau de excitação genésica por debaixo do umbral da ejaculação; deram assim ao ato sexual um estilo novo e uma realidade diferente à fecundação.

“As práticas sexuais desempenharam um grande papel no taoísmo. As práticas públicas e coletivas, assinaladas no século 2º, desapareceram no século 6º.” “As práticas privadas continuaram tanto tempo que Tseng (século 12) lhes consagrou uma parte de seu ‘Tao Chu’." “Realmente, tanto taoístas como budistas observaram a continência (que tem sua base na Magia Sexual). Porém, os primeiros a consideravam como uma forma de desprendimento que devia levá-los à libertação, enquanto os segundos (além do seu desejo de conseguir o Tao) mantinham-se castos para concentrar-se, conservar sua substância e terem longevidade.” “É possível que, igualmente como sucedeu com seus exercícios respiratórios, os taoistas se inspiraram nos tratados tântricos hindus. Alguns foram traduzidos para o chinês na época dos T’Ang e conhecidos por Suen-Ss Eu Miao”.

“O Pao-P’u-Tseu contém uma seção intitulada “A Alcova” (18 capítulos), que foi impressa em 1066 e reimpressa em 1307, 1544 e 1604 por Kiao Che-King”. Estas datas foram extraídas dos textos incluídos nos Anais do Suei por Tamba Yasuyori em seu Yi-Sin-Fang (982-984, impresso por Taki Genkin, morto em 1857). “Em 1854 este compêndio médico de 30 capítulos, contendo os segredos de alcova, foi reeditado por Ye Tohuei (1864-1927) que reconstruiu os textos perdidos e, particularmente, o “Ars Amatoria”, do Mestre Tong-Hiuan”.

Um grande sábio disse: “Mediante a prática do Vajroli-Mudra, o iogue faz afluir em si a Shakti, ou seja, a energia universal revelada, de maneira que já não será apenas partícipe, mas também seu Senhor”.

No Viparitakarani, diz-se: “Esta prática é a melhor, excelente, causadora da liberação para o iogue. Ela importa em saúde, outorgando-lhe a perfeição”. Se desvendarmos o Vajroli Mudra, se rasgarmos o Véu de Ísis, fica a verdade nua, a Magia Sexual, o Sahaja Maithuna. A esotérica Viparitakarani ensina claramente como o iogue faz subir lentamente o sêmen mediante a concentração, de modo que o homem e a mulher, em plena cópula, podem alcançar o Vajroli.

Om! Obediente à Deusa, semelhante a uma serpente adormecida no Swayambhulingam e maravilhosamente adornada, desfruta do amado e de outros arrebatamentos. Acha-se aprisionada pelo vinho e irradia com milhões de raios. Será despertada (durante a Magia Sexual), pelo ar e pelo fogo, com os mantras ‘Yam e Dram’ e pelo mantran ‘Hum’ ”. Cantai estes mantras nesses preciosos momentos em que o Lingam-Yoni encontram-se conectados no leito nupcial. Assim, despertareis Devi Kundalini, a serpente ígnea de nossos mágicos poderes.

(Texto retirado do livro O Parsifal Desvelado. VM Samael Aun Weor)

Um comentário:

Beto Brandão disse...

O PADRE, A MOÇA

7.

Quando lhe falta o demônio
e Deus não o socorre;
quando o homem é apenas homem
por si mesmo limitado,
em si mesmo refletido;
e flutua
vazio de julgamento
no espaço sem raízes;
e perde o eco
de seu passado,
a companhia de seu presente,
a semente de seu futuro;
quando está propriamente nu;
e o jogo, feito
até a última cartada da última jogada.
Quando. Quando.
Quando.


Carlos Drummond de Andade - Lição de Coisas - Ato